Megafônicas Belém – Qual é a sua Educação?


Os urubus e sabiás – Rubem Alves
Maio 23, 2008, 4:12 am
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“Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam… Os urubus, aves por natureza becadas, mas sem grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a natureza eles haveriam de se tornar grandes cantores. E para isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram dó-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas, e fizeram competições entre si, para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam a permissão para mandar nos outros. Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tornar um respeitável urubu titular, a quem todos chamam de Vossa Excelência. Tudo ia muito bem até que a doce tranqüilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. A floresta foi invadida por bandos de pintassilgos tagarelas, que brincavam com os canários e faziam serenatas para os sabiás… Os velhos urubus entortaram o bico, o rancor encrespou a testa , e eles convocaram pintassilgos, sabiás e canários para um inquérito.

— Onde estão os documentos dos seus concursos? E as pobres aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais coisas houvessem. Não haviam passado por escolas de canto, porque o canto nascera com elas. E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam simplesmente…

— Não, assim não pode ser. Cantar sem a titulação devida é um desrespeito à ordem.

E os urubus, em uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás…

MORAL: Em terra de urubus diplomados não se houve canto de sabiá.”

Rubem Alves é autor de livros e artigos abordando temas religiosos, educacionais e existenciais, além de uma série de livros infantis.

["Ensinar" é descrito por Alves como um ato de alegria, um ofício que deve ser exercido com paixão e arte. É como a vida de um palhaço que entra no picadeiro todos os dias com a missão renovada de divertir. Ensinar é fazer aquele momento único e especial. Ridendo dicere severum: rindo, dizer coisas sérias. Mostrando que esta, na verdade é a forma mais eficaz e verdadeira de transmitir conhecimento. Agindo como um mago e não como um mágico. Não como alguém que ilude e sim como quem acredita e faz crer, que deve fazer acontecer.]



O design da bagunça
Maio 21, 2008, 2:00 pm
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por Lígia Fascioni

Estou escrevendo alguns artigos para um congresso e resolvi estudar os currículos dos cursos de design oferecidos no país, incluindo suas diversas habilitações. Não é difícil; exceto por algumas poucas faculdades, todos divulgam em seus sites a estrutura curricular (nota: no meio da navegação, achei por acaso uma escola de administração que esconde a grade de disciplinas com medo de ser copiada. Surreal? Inacreditável? E a escola é daqui mesmo…).

Ainda que as habilitações sejam diversas (moda, produto, gráfico, webdesign, editorial, mobiliário, mídias eletrônicas, jóias, etc), fiquei pasma com a diversidade de currículos. Não há nem mesmo uma grade básica de conhecimentos que todos precisem aprender. Para se ter uma idéia, menos de 30% dos 235 cursos de graduação em design oferecidos no Brasil contam com a disciplina gestão do design. Em cursos de design de produto, por exemplo, não encontrei dois com mais de 50% de disciplinas comuns a ambos (excetos os oferecidos pela mesma rede de faculdades).

Isso me leva a lamentar um fato que acabei sabendo no decorrer da pesquisa: uma faculdade de design instalada em Joinville teve recentemente suas portas fechadas (só descobri perguntando para um amigo que mora e trabalha lá, pois o site simplesmente saiu do ar sem dar maiores satisfações). Pois ele me contou que os alunos pêgos de surpresa no penúltimo semestre, ao tentarem concluir o curso em outra faculdade, tiveram uma notícia desagradável: descobriram que teriam que cursar mais três anos para alinhar as disciplinas. Não é revoltante? Como é os currículos podem ser tão diversos em um mesmo curso, na mesma habilitação, na mesma cidade?

Imagino que algum tipo de variação aconteça na maioria das graduações e com dentistas e advogados não seja diferente. Ainda que engenheiros possam sofrer com mudanças de currículos, todas as habilitações, sem exceção, precisam estudar cálculo integral e física, por exemplo, além de álgebra e mecânica dos fluidos. É básico. Por que é que nos cursos de design não acontece assim também?

Dá impressão que cada faculdade escolhe o que gosta mais ou o que acha mais interessante e manda ver. Se o curso explodir, paciência, os alunos que paguem. É claro que não deve ser assim, tenho certeza de que há um trabalho sério que fundamenta cada escolha, senão o MEC não iria aprovar, mas talvez as diretivas sejam excessivamente genéricas. Também não dá para dizer que um curso seja melhor que outro apenas olhando as disciplinas – há muita gente séria tentando fazer o melhor que pode. Mas como conviver com tantas e tão gritantes diferenças em formações que deveriam ter muito mais pontos em comum?

O preocupante é que você não sabe se o designer que está contratando conhece gestalt ou semiótica, já que nem todos os currículos incluem esses tópicos. Há cursos onde não se estuda nem mesmo teoria das cores.

Que fique bem claro que não estou defendendo que os currículos sejam engessados; há que se respeitar as necessidades e a realidade de cada região, de cada mercado, da intenção e dos objetivos de cada projeto pedagógico. Mesmo assim, não faz sentido que duas habilitações com o mesmo nome, ambas autorizadas pelo MEC, tenham mais de seis semestres de disciplinas diferentes em seus currículos, concorda?

Eis aí uma boa questão para os profissionais de design se debruçarem. Como regulamentar uma profissão tão heterogênea na formação de seus profissionais? Como organizar essa bagunça sem nivelar por baixo e nem prejudicar os estudantes?

A questão está lançada…

(fonte: http://www.acontecendoaqui.com.br/index.asp?dep=16&colunista=12&pg=12036)



Mesas do Megafônicas
Maio 18, 2008, 7:31 pm
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Essas serão os temas das mesas de debate do MGF Belém!

segue embaixo a descrição que a pré-conde BA nos sugeriu de cada mesa

Educação e o Estudante: Essa mesa versará sobre a espectativa do estudante de design e o curriculo proposto. Normalmente uma relação conflituosa pois cada estudante entende a atividade de forma diferente, e acha que certas disciplinas são mais importantes que outras. Ela também visa abordar a questão do repertório pessoal. Qual o sistema curricular que contemplaria a todos? Essa ainda seria uma formação homogenea?

Educação e Sociedade: O Designer formado entende sua posição na sociedade? Ou ele acha que ser um profissional competente e praticar filantropia é a sua principal contribuição social? Essa mesa versará sobre a ética e responsabilidade socio ambiental presente/ ausente na formação do estudante de design. A Universidade deve formar pra esse propósito?

Educação e Mercado: O mercado muda constantemente. Vivemos em um momento pós moderno de concepção de consumo e de relações de ttrabalho. Com as dificuldades de associação profissional, inchaço do mercado, disseminação das ferramentas tecnologicas, a Universidade forma para o mercado? O que é ser formado para o mercado? O estudante tem o poder de formar o mercado?



por que discutir educação???
Maio 16, 2008, 12:04 am
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Historicamente contraditória, a educação de design aplicada nas escolas brasileiras é importada da primeira escola de design do mundo, mesmo os países Brasil e Alemanha apresentando realidades sociais, econômicas e culturais totalmente distintas. O efeito dessa importação de método e conteúdo no desenvolvimento do design Brasileiro é pauta de muitas discussões.

Um dos problemas apresentados é a desfasagem do currículo, o estudante não consegue relacionar o conteúdo de sala de aula com a realidade que ele observa e vivencia no mercado, desmotivando-se e, por vezes, afastando-se do ambiente universitário: entidades de Base, encontros estudantis, Grupos de Pesquisa, Projetos de Extensão, Iniciação Científica, Empresas Juniores e o próprio Conselho Nacional de Estudantes de Design .

A educação configura-se, mais uma vez, como pedra fudamental de toda uma estrutura. Sua reflexão e reconfiguração dentro do cenário do ensino de Design no país é certamente um dos pontos chaves para a transformação da realidade da atividade e da sociedade.

Fonte: pré-Conde BA